Archives agosto 2020

A crise do Barcelona e o encerramento de ciclos

Um dos clubes de futebol mais vitoriosos da história viu um capítulo amargo ser escrito há alguns dias. A derrota humilhante por 8 a 2 passou como um terremoto pelo Barcelona: o atacante Messi demonstrou que está cogitando a possibilidade de ir embora, mesmo depois de 16 temporadas com o time. E Piqué, zagueiro, admitiu que o clube precisa passar por mudanças e se colocou à disposição para sair, ele próprio, se necessário. “Vergonha, esta é a palavra”. O Barcelona terminou a sua pior temporada em 11 anos.

Seja qual for o destino de Messi, Piqué e outros jogadores do clube, o momento atual revela o fim de um ciclo para um dos maiores clubes do mundo. A goleada sofrida foi apenas a gota d’água que fez transbordar a necessidade de mudanças. Mas o que faz um jogador como Messi, que ganha 50 milhões de euros por ano, querer encerrar um ciclo vitorioso em todos os sentidos? A resposta é: ciclos precisam de recomeços. Mesmo em momentos vitoriosos.

E como você, na sua vida, tem reagido a momentos de tomada de decisão? Messi escancarou o processo de descontentamento e demonstrou atitude e coragem para começar uma nova jornada.

Como você se entrega para novos desafios? Como suas emoções ajudam na leitura do processo de descontentamento interno que você está enfrentando? O que você precisa para tomar uma atitude, ter coragem de mudar e encerrar um período?

Tão importante quanto começar novos ciclos é perceber quando os ciclos antigos devem se encerrar. Você sabe como fazer essas mudanças na sua vida ou precisa levar uma goleada de 8×2 para tomar uma atitude? Você faria o mesmo que Messi?

A importância da auto-observação no desenvolvimento pessoal

Por uma questão de economia de energia, acabamos desenvolvendo alguns “atalhos”: uma espécie de piloto automático que decide por você, evitando assim que você precise pensar conscientemente em cada uma das suas ações. Pense, por exemplo, em alguém que está aprendendo a dirigir: é preciso prestar atenção no que acontece tanto dentro como fora do carro. É um processo tão cansativo que logo nosso cérebro automatiza o controle dos pedais, a troca de marcha, o acendimento dos piscas… Com isso, o motorista ganha a chance de se concentrar com mais intensidade apenas no seu exterior: placas, faróis, outros motoristas, pedestres.

Esse “piloto automático cerebral” foi tão fundamental para a nossa espécie que nos permitiu ter mais tempo livre para outras atividades além da própria sobrevivência. Por outro lado, ele nos deixou insensíveis a alguns aspectos da nossa própria personalidade: por ser mais fácil viver no controle remoto, passamos a conduzir a vida não como um motorista atento e cuidadoso, mas sim como um motorista cego e surdo.

Esse mesmo piloto automático que nos tira o peso de decidir conscientemente sobre coisas rotineiras é o mesmo piloto automático que nos prejudica em nosso crescimento pessoal. Por isso, um dos maiores desafios para quem quer crescer como pessoa é a auto-observação. O que eu faço? Como eu faço? Por que eu faço? No início da caminhada, a tendência é que nossos padrões só sejam percebidos depois de realizados, e normalmente vêm acompanhados da sensação de “Não acredito… mais uma vez eu não consegui pedir ajuda e preferi me sobrecarregar”.

Ao olhar-se verdadeira e profundamente, você corre o risco de se deparar com aspectos pouco lisonjeiros de si mesmo. E isso pode ser duro, dolorido e sofrido. Mas você só conseguirá superá-los quando reconhecer a existência deles. Imagine que a conta de água da sua casa mais que dobrou de um mês para outro, mas o consumo se manteve igual. Como você irá consertar o vazamento se não sabe qual cano está quebrado? Algo similar acontece conosco: só poderemos nos tornar mais empáticos, realizadores ou convictos se reconhecermos que, agora, ainda não somos. Só podemos crescer se tivermos a humildade de aceitar que ainda não chegamos lá.

Por Angelita Borges – Diretora de Laboratório no IE Brasil

Como os perfis do Eneagrama reagem ao momento que estamos vivendo?

O mundo está de cabeça para baixo! Paira no ar a sensação de que tudo está fora do lugar. E agora, como encontrar ordem em meio ao caos?

Neste momento, é importante reconhecermos o que realmente estamos sentindo e como reagimos apesar de momentos como este. Somos seres diferentes, pensamos de forma diferente e, acima de tudo, temos reações diferentes a cada situação. Isso significa que, embora algumas pessoas possam estar no auge do estresse com um certo sentimento de impotência frente às consequências do Covid-19, outros, no entanto, podem estar gostando deste momento de isolamento social e aproveitando para ficar em paz consigo mesmo. E tudo bem com isso!

Riso e Hudson, em sua obra “A Sabedoria do Eneagrama”, classificam em três grupos a forma como podemos usar nossas defesas e reagir, inconscientemente, mediante situações de perda e decepções.

Grupo da Atitude Positiva

Como o próprio nome já diz, estas pessoas tendem a reagir aos problemas adotando uma “atitude positiva”, ou seja, “fazendo do limão uma limonada”. São pessoas que têm certa facilidade em ver o lado bom das coisas, são motivadoras e estão sempre prontas para ajudar. Agora, a dificuldade está em reconhecer em si mesmas algo doloroso ou negativo. Equilibrar suas próprias necessidades em relação às dos outros também pode ser tornar desafiador para elas. Pertencem ao grupo de Atitude Positiva os perfis 7, 2 e 9.

Grupo da Competência

As pessoas deste grupo reagem aos problemas invalidando seus sentimentos. Buscam constantemente por objetividade, eficiência e competência, muitas vezes esperando que os outros ajam da mesma forma e, quando isso não acontece, surge a indignação. Este grupo pode ter problemas em relação seguir, ou não, limites (regras) dentro de um sistema. Os perfis 1, 3 e 5 compõem esse grupo.

Grupo Reativo

Devido à sua dificuldade em confiar no outro, os reativos tendem a querer que as pessoas espelhem o seu próprio estado emocional, do tipo “se isso me aborrece, deveria aborrecê-lo também!”. São expressivos, ou seja, quando há um problema isso fica evidente fisicamente. Criam, por vezes, relações de amor e ódio. As pessoas que fazem parte do grupo dos reativos buscam por independência, o que pode trazer certa dificuldade quanto ao reconhecimento da necessidade em serem apoiados ou cuidados pelos outros. Tipos 4, 6 e 8 fazem parte do grupo reativo.

 

Ao analisarmos os grupos mencionados por Riso e Hudson, podemos identificar pelo menos uma reação positiva em cada grupo que, se estiver desequilibrada, pode gerar problemas em nossos relacionamentos, sejam eles pessoais ou profissionais.

Agora, analisando o momento pelo qual estamos passando – pandemia, crise na saúde e na economia mundial –, no qual a grande maioria das pessoas está passando por uma situação de instabilidade, seja ela financeira, física ou emocional, minha dica é: pare por um instante e reconheça suas emoções.

Se você tem a sensação de que tiram o chão de baixo dos seus pés, acalme-se. Analise este momento (aqui e agora), coloque no papel suas possibilidades. O que você pode fazer? Como você pode fazer? De que forma pode contribuir? Trace um plano e aja conscientemente a partir do que há de melhor no seu padrão de comportamento.

Por Sandra Iepsen – Diretora IE Santa Cruz do Sul/RS

Como administrar o tempo de forma eficaz nos dias atuais

A gestão de tempo na nossa vida pessoal e no trabalho é essencial, já que tem relação direta com o nosso desempenho e produtividade. Todos nós temos a tendência a utilizar nosso tempo com as coisas que gostamos de fazer. Comentei isso com um senhor muito sábio, de mais de setenta anos, e ele falou a seguinte frase:

– É muito simples administrar o teu dia e ter tempo para tudo: o dia tem 24 horas, não é? Então são 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas para lazer!

Parece simples, não é verdade? Sim, é simples, e ele não está errado.

No entanto, é simples e fácil para algumas pessoas. Já para outras, é extremamente difícil ter essa disciplina diária. Isso acontece porque determinados indivíduos utilizam a maior parte do tempo para o trabalho, enquanto outros, para a família. Só que, ao se utilizar de forma errada ou demasiada, isso pode atrapalhar em ambos os aspectos.

Se pararmos para pensar, muitas vezes não sobra tempo para fazer o que gostamos. A vida corrida do dia a dia, bem como os afazeres pessoais e profissionais, acabam nos ocupam demais. Por isso, a importância da gestão do tempo.

Em uma pesquisa rápida no Google, podemos constatar que os brasileiros passam, em média, quatro a cinco horas por dia em frente ao celular, sem contar as outras horas diante de um computador, no carro ou no sofá. Que ótimo seria se fossem horas produtivas, mas nem sempre elas são. Por isso, seguir algumas dicas para ter uma administração melhor do tempo é fundamental para termos mais desempenho e nos tornarmos mais produtivos.

Que tal começar com alguns passos e torná-los hábitos diários?

1 Planejamento

Separe 30 minutos do seu dia para planejar

2 Agenda

Tenha uma agenda para organizar todos os compromissos e as tarefas

3 Prioridades

Defina quais tarefas são mais importantes a serem feitas no momento, deixando as menos importantes para depois.

4 Ladrões de tempo

Evite distrações com coisas inúteis: não perca o foco com ladrões de tempo, principalmente com notícias fakes.

Mas como seguir essas dicas se elas vão contra o meu padrão de comportamento, contra a minha vontade?

A principal dica é o autoconhecimento. Ao conhecer o meu padrão de comportamento, consigo trazer para a consciência as emoções que predominam em mim, passando a entender exatamente como me comporto em determinadas situações. Assim, crio condições de agir da forma mais adequada.

As nossas emoções estão, também, no controle do nosso tempo. Por vezes, elas nos ajudam e nos apoiam, mas podem também nos atrapalhar e nos tirar do foco, fazendo até com que nossas prioridades sejam esquecidas.

O autoconhecimento é um aliado fantástico também na administração do tempo. Acesse o site ieneagrama.com.br e tenha um pouco desse conhecimento. E você, como administra seu tempo? Conte para nós!

Por Fábio Brião – Diretor e Trainer no IE Zona Sul RS