“stresslaxing” – o ato de se sentir estressado enquanto está tentando relaxar

“Stresslaxing” – o ato de se sentir estressado enquanto está tentando relaxar

Você é daquelas pessoas que conta os dias e os minutos até algum feriado ou período de férias? Sabia que para algumas pessoas, descansar e relaxar é uma coisa assustadora.? Eles enlouquecem enquanto relaxam.

Um termo estranho, sem tradução direta aqui no Brasil, mas já se escuta falar dele lá fora há anos, o “stresslaxing” descreve a sensação de estar tentando relaxar e – ao mesmo tempo – estar muito ansioso por não conseguir relaxar.

Você já tentou relaxar, apenas para se sentir sobrecarregado com o sentimento de estresse e pensamentos negativos? Por exemplo, você tenta meditar, sair para caminhar ao ar livre, simplesmente sentar para observar o dia escutando música, buscando um momento de relaxamento e tudo que consegue é: ficar constantemente pensando nos problemas que precisa resolver, nos que já foram resolvidos e ainda nos que nem surgiram.

Acontece que muitos de nós experimentamos isso – e é por isso que alguns usam o termo em inglês “stresslaxing”.

O fenômeno, conhecido como ansiedade induzida pelo relaxamento, acontece quando as pessoas ficam ansiosas como resultado de estarem relaxadas. Embora pareça contraditório, atividades como exercícios, ouvir música ou tirar férias desencadeiam sentimentos de ansiedade.

Essa sensação é comum e acontece entre 30% e 50% das pessoas quando tentam fazer atividades relaxantes, causando sintomas de estresse, um tiro no pé.

O pior de tudo é: isso pode se tornar um ciclo vicioso, uma vez que quando estressado, você precisa fazer algo para desestressar. Imagine ficar mais estressado, por diferentes motivos, toda vez que tentar relaxar?

“Alguém com medo de relaxar é capaz de relaxar inicialmente”, diz Christina Luberto, doutoranda em psicologia da Universidade de Cincinnati, que desenvolveu um questionário, conhecido como Índice de Sensibilidade ao Relaxamento, para aprender mais sobre essa situação. “Mas uma vez que eles começam a se sentir relaxados, eles começam a se sentir ansiosos como resultado.”

Cada pessoa – e cada personalidade – age de forma diferente quanto ao “stresslaxing” e algumas personalidades estão mais propensas a essa sensação do que outras!

É fundamental identificar qual está sendo o gatilho desse fenômeno em sua personalidade. Por exemplo, o medo de errar pode ser um dos gatilhos mais comuns para o “stresslaxing”, bem como o medo de perder o controle ou o medo de desagradar as pessoas. 

É comum também observar no medo de não atingir resultados ou medo de gerar conflitos como gatilhos potentes para esta sensação.

Mas ainda existe o medo de não ter a devida atenção das pessoas, medo de depender de alguém ou ainda de ser subjugado por alguém, bem como o medo de desagradar as pessoas e o medo de ter que lidar com dores e situações de desconforto posteriores ao se permitir relaxar.  

Seja qual for o medo é necessário estar atento para verificar se o gatilho que você está tendo para este “stresslaxing” está vindo da sua personalidade ou pode ser um indício patológico.

Olhar para dentro, se entender, observar e ter auto cuidado é fundamental para que possamos ter maior domínio de nossas ações e reações, mas principalmente termos maior gestão de nossos resultados e relacionamentos.

 

Que história você vai contar?

Que 2020 foi um ano exaustivo ninguém dúvida. Nossa saúde sofreu – física, mentalmente e emocionalmente. Quase não reconhecemos as pessoas ao nosso lado. Falamos coisas que não deveríamos. Fomos testados de todas as formas. Estresse, depressão, burnout: foi o ano em que as fronteiras entre trabalho e lazer ficaram cada vez mais imperceptíveis e nebulosas. Quem diria que seria um ano tão desafiador?

São em momentos como esse que mais ficam evidentes nossas fragilidades emocionais.

Podemos nos perceber ainda mais irritados, impacientes ou ansiosos, causando ainda mais estresse no ambiente familiar e de trabalho, intensificando conflitos, comprometendo nosso bem-estar e diminuído nossa produtividade.

Fomos obrigados a olhar para nossa saúde física e emocional de forma proativa e ressignificar a forma como encaramos nossas emoções.
As emoções não devem ser reprimidas ou ignoradas do tipo: “eu não posso sentir isso agora. Isso vai me atrapalhar e eu tenho um monte de coisas para fazer.” As emoções devem sim ser expressadas, compreendidas, aceitas e integradas.

Tentar impedir que as emoções não se expressem podem trazer problemas muito maiores e mais graves.

Olhando para trás, talvez você não esteja satisfeito com os resultados de 2020. Mas pense bem: diante de tudo que aconteceu, será mesmo que não há motivos para comemorar? Nem ao menos uma razão, por menor que seja? Tudo bem não ter dado conta de tudo. Tudo bem ter ficado irritado. Tudo bem não ter lidado bem com as tempestades da vida. Ninguém é o Super Homem ou a Mulher Maravilha para ter saído ileso de um período como os últimos meses – e nem eles mesmos saem sem arranhões das batalhas que enfrentam. Então relaxa: você fez o melhor que pôde com o que você tinha naquele momento.

Este é um ótimo momento para observar suas emoções e buscar compreender, através dos sentimentos, quais as mensagens que elas estão querendo te passar. Também é um ótimo momento para aceitar suas fragilidades, e buscar formas de desenvolvê-las.

Por isso, agora eu pergunto: que história você quer contar em 2021? Será que ele vai ser o segundo volume de um livro de suspense cujas reviravoltas estão fora do seu controle? Ou 2021 dará início a uma nova saga, com personagens mais fortes e mais experientes, que aprenderam com os solavancos? O livro da sua vida está nas suas mãos: escreva com sabedoria os novos capítulos.