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Um filho de 4,5 metros

Um dos maiores ensinamentos que a maternidade me trouxe foi uma percepção diferente do tempo.

Eu sempre senti uma angústia muito grande por ficar longe do meu bebê, embora a literatura cisme em chamá-lo de criança (só porque ele já tem 3 anos, bobagem!).

A primeira saída sem ele foi quase um filme pastelão. Marido ligou a caminho de casa, com um casal de amigos que encontraria em uma convenção, e eu saí correndo para comprar algumas coisas que adultos normais comem: antepastos, carne, vinho… Em casa, estávamos nos últimos 2 meses à base de produtos de milho (porque aumenta o leite), água de coco, ensopados encorpados (insira aqui tudo que sua cultura fala para as recém-mães comerem ou tomarem).

Fui correndo para voltar o mais rápido possível, esbarrando nos outros seres humanos. Desacostumada que estava, convivia apenas com minha mãe, marido e um serzinho de 50 cm.

As saídas eram apenas para pediatra e os 150 profissionais que me ajudaram na tarefa mais desafiadora até então, amamentar meu filho.

Naquele supermercado, foi uma das primeiras vezes em que senti o quão diferente estava a minha vida.

E, sobretudo, o quão diferente era da realidade do meu marido. Ele estava voltando de São Paulo, cidade que está a 100 km da minha casa, mas que, naquela época, estava situada em outra galáxia. Já estava tranquilamente adaptado à sua antiga rotina, conversando com adultos sobre outros assuntos que não fossem leite-cocô-sono-arrotar-dormir-recomeça.

Ainda na fila, me sentindo inadequada naquele lugar, lembrei o quanto perguntava, incrédula: como você consegue passar o dia longe dele?

A cena se repetia. No final do dia, ele chegava, sentava na minha cadeira de amamentação com o bebê no colo, olhando com uma cara que eu ainda não conhecia para nosso filho, e eu do lado me perguntando: como ele conseguia sair de manhã e só voltar agora?

Mistério!

Ele nunca conseguiu me responder, são aquelas coisas incríveis da vida que apenas são! O pai pode ficar longe!!!

Ele também tinha suas dúvidas: tentava mensurar a minha dor ao amamentar. Tentei explicar trazendo para a realidade dele – mas não dá para escrever aqui e por favor, se não for íntimo, não me pergunte! Só posso falar que ficou bem claro e, depois disso, ele segurou ainda mais forte a minha mão a cada mamada e parou de reclamar de fazer depósitos para a consultora de amamentação.

Naquela época, nas primeiras semanas, Benicio estava com os 50 cm que mencionei. Hoje, com 3 anos, quase 1 metro. Se ele crescesse neste ritmo, teria 4,5 m aos 18 anos!

Os primeiros anos de vida são os anos em que a criança mais aprende e mais cresce, mas tem muito sofrimento também. Depois que fui mãe e me interessei por estudar sobre bebês, nunca mais deixei alguém falar “ai, que ternura” ou “queria ter essa vida sem boletos”. De imediato, a pessoa já ganha um tratado sobre angústias de morte, dores de separação, dores físicas excruciantes, sensação constante de queda… e a lista continua.

A maior dor desses serezinhos talvez seja porque tenham uma percepção de fusão com a mãe, nestes primeiros anos. Ele e a mãe são um só, não só no período da gestação, mas nos primeiros anos também. Aliás, por uma questão de evolução, nós nascemos uns 3 meses antes do que era para nascer. E por isso deveríamos literalmente respirar o ar deles nestes meses fundamentais.

E o mundo não gosta disso, não.

A mãe precisa voltar logo a ser esposa e profissional.

Pergunte para uma mãe que amamentou até 2 anos ou mais (inclusive recomendação da OMS) e veja quantas barreiras ela precisou vencer.

Ela certamente lutou muito, com toda força de uma mulher, para não fazer parte da estatística de 50 dias de aleitamento. Cinquenta dias, o que fazem as brasileiras estarem devendo, em média, 680 dias de grude completo e do melhor alimento do mundo para seus filhos.

Quando você amamenta, ou você faz uma logística complicadíssima ou você precisa estar bem perto do seu filho, pelo simples fato de o seu peito começar a explodir na hora da próxima mamada. E a natureza lembrando que temos que estar no tal do grude e que todo o resto deveria esperar.

Mas… quem ouve essa tal da natureza? Marcamos a hora do nosso filho nascer e queremos/precisamos logo voltar a tarefas da nossa vida.

Para criar um filho, é preciso de altruísmo; do pai, que precisa entender que, sim, perdeu a esposa nestes primeiros anos; e da mãe, que perdeu a vida (ai, que dramático). Mas sim, morre a mulher, nasce a mãe. Uma outra pessoa. Prioridades, medos, olhares completamente diferentes.

E, talvez, seja nesse momento que a maturidade dos pais mais vai contar. O quanto eles foram crianças que conseguiram minimamente passar por todos esses possíveis traumas e irão conseguir suportar tamanha dedicação neste momento. A mãe precisa cuidar do filho e o pai precisa cuidar da mãe.

Não conseguimos, na maioria das vezes. Muitos casamentos acabam antes de o filho completar 2 anos.

E sua tia vai falar que “tem que se arrumar”, “tire o pijama e desmama esse menino”, “você amamentou só um mês e está aí perfeita”. Mas não, estamos feridos por dentro, porque somos imperfeitos, cuidados por seres imperfeitos, tentando melhorar a cada geração.

O recado que o Benicio recebeu do seu padrinho, ao nascer, pode resumir um pouco do que é a maternidade para mim: é ruim, mas é bom! Assim como a vida.

Por Luisa Mandetta.

Por que contratamos pessoas pelo currículo e demitimos pelo comportamento?

“Ao procurar pessoas para contratar, você busca três qualidades: integridade, inteligência e energia. Se elas não têm a primeira, as outras duas matarão você”, a frase é do Warren Buffet, um dos executivos com maior capital do mundo, segundo a Forbes. Se você pudesse recontratar todas as pessoas da sua equipe, faria isso? E se tivesse uma seleção para a vaga que ocupa na sua empresa, se candidataria?

O mundo corporativo e a vida pessoal não são tão diferentes. Se tem algo que não se transforma, independente se estamos de crachá ou não, é a conduta. E quando falamos de conduta, muitas vezes estamos falando de algo que não podemos transformar.

Porém, dentro das nossas equipes e do ecossistema em que estamos inseridos, como podemos potencializar as qualidades das pessoas que trabalham conosco e nossas próprias qualidades? Como diferenciar o que é mutável e aquilo que não adianta tentar, é uma questão intransferível de alguém?

Todas as habilidades técnicas de trabalho podem ser ensinadas. Mas comportamento é algo difícil de mudar. Não depende apenas do gestor ou da cultura da empresa, depende principalmente da vontade do funcionário. Quando temos dentro de um feedback queixas ou reclamações em relação ao comportamento de um funcionário, a melhoria é menos tangível.

Talvez seja por esse motivo que contratamos pessoas pelo currículo e demitimos pelo comportamento. Antes de nos conhecermos no dia a dia, podemos mensurar o desempenho de alguém pela descrição de suas atividades anteriores. Mas a real disposição de um funcionário de lidar com a equipe, cumprir suas atividades no prazo e estar empenhado com o crescimento da empresa só são percebidos pelo cotidiano.

Uma boa alternativa antes de contratar é pedir referências não apenas do setor de RH da empresa anterior, mas também de quem foi gestor e quem foi liderado pelo candidato. Empresas como 99 e Nubank, unicórnios brasileiros, já aderiram ao método na hora de contratar.

Afinal de contas, uma relação entre profissionais é, nada mais, que uma relação P2P – de pessoa para pessoa.

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