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O Tempo e o Vento

Uma das sagas mais famosas da literatura brasileira, O Tempo e o Vento é uma trilogia sobre a formação do Rio Grande do Sul e se passa ao longo de 150 anos. Nessa obra, acompanhamos as guerras e as disputas de poder entre famílias, bem como a bravura dos homens e a tenacidade das mulheres. Inúmeros são os personagens marcantes criados por Érico Veríssimo e, aproveitando a Semana Farroupilha no Rio Grande do Sul, o IE Porto Alegre e o IE Brasil trazem a análise de três deles, a Bibiana, o capitão Rodrigo e a Ana Terra. Confira!

 

O Tempo e o Vento
Bibiana Terra Cambará

Bibiana Terra Cambará

Tipo: Tipo 4 - O Romântico

Sub-tipo: Social

“Nasci em um dia de vento, como esse, e a velha tesoura de minha bisavó me separou de minha mãe.” Já nas primeiras falas de Bibiana Terra Cambará, conseguimos ler essa frase com um suspiro, porque o traço saudosista e nostálgico é inerente à personagem. Já uma matriarca de família, Bibiana se recorda do passado, de sua avó Ana Terra e do Capitão Rodrigo Cambará, seu grande amor. Por meio do seu discurso melancólico e de sua descrição detalhada, conhecemos a história de sua família e vamos entendendo como tudo se sucedeu. É como se conseguíssemos sentir as dores de todas gerações.
Bibiana é uma personagem cheia de sentimentos e de uma sensibilidade única – e isso se dá pelo seu centro emocional aflorado e sua capacidade teórica de descrever os fatos com muita profundidade, que são traços da personalidade 4 do Eneagrama, o romântico. Por isso, o grande desafio dos representantes desse perfil é libertarem-se dos sentimentos do passado. “O tempo ventou por esse pampa afora e levou com ele a minha juventude”, Bibiana diz. Como tendem a não perceberem o momento presente, podem deixar a vida passar e escoar por seus dedos.
“Depois que minha avó Ana Terra se foi, nada mais de importante aconteceu por aqui. Até o dia em que um certo Capitão Rodrigo Cambará chegou à Santa Fé.” Bibiana ansiava encontrar alguém que soubesse apreciar o seu eu secreto e as suas particularidades. Já que a sua ferida emocional é a da perda e abandono, ela busca alguém que a preencha para que se torne enfim completa. O tipo 4 é romântico e sonhador, e Bibiana usava toda a sua imaginação para reviver seu grande romance com Rodrigo Cambará, sonhando com o dia em que ele fossa salvá-la da vida – e até mesmo da morte.
O instinto social se apresenta com a sensação de inadequação. Bibiana é mais introspectiva e traz também um maior vitimismo. Veja a maneira como ela conta sobre a história e o carma das mulheres de sua família: “Em certos dias em que o minuano soprava, enrolada num xale e pedalando na roca, Bibiana pensava na avó, que costumava dizer-lhe que o destino das mulheres da família era fiar, chorar e esperar”. Uma personagem que deu voz à obra moderna e bastante expressiva de Érico Verissimo, Bibiana é cheia de sentimentalismos e conta uma história de amor, com um pouco de guerra.

Ana Terra

Ana Terra

Tipo: Tipo 6 - O Questionador

Sub-tipo: Sexual

Apaixonada, mas impedida de viver o seu amor, Ana Terra sugere a Pedro Missioneiro que os dois fujam. Ela quer construir uma vida longe da propriedade de seu pai, mas principalmente longe de seus domínios. Assim como o perfil 6 sexual do Eneagrama (o questionador), ela tem medo de ser controlada e, por isso, acaba adotando uma postura de força e beleza.

Ana enfrenta seu pai porque ele é contra o relacionamento dela com o índio mestiço e grita com todas as suas forças que seu pai é um assassino por lavar a honra da família com sangue – Ana estava grávida sem estar casada, o que era visto como uma reputação arruinada e uma vergonha para a família. “Você matou o Pedro!”, ela diz entre lágrimas e muita raiva.

E, diante da provocação do irmão mais tarde (“Vê se vai dormir com um desses negros agora”), Ana se levanta e diz “Covarde! Assassino! Mataram o Pedro! Deviam estar na cadeia com os outros bandidos!”. Ela enfrenta o irmão mesmo estando com o filho pequeno no colo. A postura reativa diante da ameaça é comum nesse perfil, por isso ele também é chamado de contrafóbico – que age contra o medo.

O tipo 6 também é zeloso. Frente à invasão dos castelhanos, Ana leva seu filho e o esconde em uma caverna, evidenciando a preocupação em relação à segurança dele. Ela segura o menino pelos braços, enquanto explica em tom de ameaça: “Aconteça o que acontecer, só sai quando a mamãe chamar. Entendeu? Só quando a mamãe chamar!”. Com o filho a salvo, ela volta para defender a propriedade ao lado de sua família, desafiando o comando de seu pai. “Por que não foi para o mato?”, seu pai pergunta irritado, ao que Ana responde: “Vai saber que tem mulher em casa. Se eles não me procuram, eles não acham o Pedrinho”. A proteção é comum nesse perfil, sendo o sexual o subtipo mais impulsivo do 6, já que ele prefere atacar a se render. Esse traço pode se assemelhar com o perfil 8, mas a diferença é que o 6 sexual é um agressivo ansioso que precisa impor os seus valores, sendo reativo diante do medo; enquanto o 8 é um agressivo calmo que impõe o seu comando em busca de respeito e valor pessoal.

Durante a invasão, Ana vê seus familiares serem mortos diante de seus próprios olhos. Ela passa o tempo todo agarrada à cruz, o que mostra o apego aos valores, típico do tipo 6. Ana se esconde atrás da mesa e fica encolhida: nessa cena, podemos perceber que a sua emoção dominante é o medo. Sua casa é incendiada e ela enterra, sozinha, seus entes queridos. Ana Terra é uma personagem forte que, em nome da família, supera os desafios e vai reconstruir sua vida em outro vilarejo, carregando consigo a sua fé e os seus valores. Torna-se parteira, como a sua mãe, e dá continuidade à família Terra, trazendo à luz a sua neta Bibiana.

A cultura do Rio Grande do Sul tem muita semelhança com a personagem. Os gaúchos cultivam suas tradições e mantêm vivos a sua cultura – o chimarrão na roda de amigos, o churrasco com a família no domingo, os CTGs com suas danças e músicas. Por isso, nessa Semana Farroupilha, celebramos a amizade e o respeito.

Capitão Rodrigo Cambará

Capitão Rodrigo Cambará

Tipo: Tipo 8 - O Confrontador

Sub-tipo: Social

Estava tudo muito tranquilo em Santa Fé, quando um certo capitão Rodrigo adentra o vilarejo após muitas peleias na guerra contra os castelhanos.
“Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o capitão Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida, e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas.”
A presença do capitão Rodrigo é dominante e provoca a todos os moradores locais, como descreve Érico Veríssimo. É um homem de destino incerto, senhor do seu próprio tempo, independente e amante da liberdade, que acredita que somente a guerra traz sentido à vida de um homem. Todas essas são características fortes do perfil 8 do Eneagrama, o confrontador. Seus representantes são dotados de muita força e vitalidade, sentindo-se vivos apenas quando utilizam desses recursos, características do seu centro ativo. A vida cotidiana e pacata é o maior desafio desse perfil, já que ele possui a fome de viver intensamente. Rodrigo Cambará deixa claro que só se sente feliz no calor das batalhas e das conquistas, sentindo ainda vivo o cheiro de sangue em suas ventas.
A ferida emocional do tipo 8 é a ferida de não se sentir importante, por isso vem para a vida com a postura de “eu vou mostrar quem sou eu” – isso é bastante presente no comportamento de Rodrigo, que visa ao poder e quer angariar respeito no vilarejo. Quando desrespeitado, fica obstinado a mostrar sua importância mostrando quem realmente manda, assim como quando se desentende com Bento Amaral, filho da maior autoridade da cidade, e decide ir para um duelo com ele. Para ele não bastava ganhar a briga, mas sim, escrever a inicial do próprio nome no rosto do adversário, para que Amaral sempre se lembrasse de respeitá-lo.
O instinto social se apresenta no seu carisma e jeito fanfarrão de levar a vida. Mesmo durante as guerras e duelos, Rodrigo traz uma risada de canto, de quem debocha das circunstâncias da vida. Além disso, há a busca por alianças fortes, as quais ele respeite pela coragem e força. Isso se dá na sua primeira aparição por Santa Fé, quando o capitão entra na venda do Seu Nicolau gritando:
“– Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!”
Com essa entrada, Juvenal Terra reage dizendo:
“– Pois dê”
E assim começa uma das mais fortes amizades do Capitão Rodrigo Cambará, que logo depois se tornaria seu cunhado.
Um grande amor nasce em Rodrigo ao ver Bibiana: ele decidiu por conta própria que se casaria com ela no primeiro dia em que a viu – sem ao menos saber da vontade da sua amada, mostrando assim a necessidade de controle e a possessividade encontradas no tipo 8. Os dois se apaixonaram perdidamente e enfim se casaram. Mas a vida de Rodrigo Cambará ganha um novo sentido, quando a Revolução Farroupilha estoura nos pampas rio-grandenses e traz novos desafios ao capitão – a mesma guerra que tirará sua vida tempos depois.
Rodrigo Cambará é um herói real, de carne e osso, que viveu intensamente a vida que lhe foi dada. Podemos perceber todos os desafios do perfil, assim como todos os seus pontos positivos. E hoje imagem do gaúcho se construiu principalmente por esse personagem, Rodrigo Cambará, vive no imaginário do povo gaúcho.

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