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Como falar de emoções com crianças

Desde que começamos a sentir as emoções, já precisamos começar a observá-las com olhar curioso e acolhedor, para que possamos compreender nossa capacidade de sentimentos e encontrar a maneira de comunicar adequadamente o que estamos REALMENTE precisando. Ou seja, desde a infância! Mas por que é importante sabermos interpretar as emoções desde pequenos? Confira!

Emoção é a linguagem do nosso corpo para se comunicar conosco. Da mesma maneira que precisamos aprender português para falarmos com as pessoas à nossa volta, ou mesmo Libras para comunicação com deficientes auditivos, a alfabetização emocional deveria ser nosso foco antes mesmo de pensarmos em estudar uma língua estrangeira, porque – mais importante do que compreender estrangeiros – precisamos aprender a entender a nós mesmos.
A questão é: quando iniciar essa compreensão das emoções? Quando devemos aprender a interpretar o que elas estão querendo nos dizer?
Desde que começamos a sentir as emoções, já precisamos começar a observá-las com olhar curioso e acolhedor, para que possamos compreender nossa capacidade de sentimentos e encontrar a maneira de comunicar adequadamente o que estamos REALMENTE precisando. Ou seja, desde a infância!
Mas por que é importante sabermos interpretar as emoções desde pequenos?

Basta olhar para a criança que faz birra. A birra é a criança tentando comunicar ao adulto uma dor que ela mesma não consegue compreender e, se ela não consegue compreender, não tem como comunicá-la efetivamente ou controlá-la. Dessa forma, ela fica refém de uma reação emocional.

Então por onde começar?

1 – Aprenda a acolher as emoções de seu filho. Tudo começa com um ambiente onde seu filho se sente validado em seus sentimentos: quando percebe que o que ele sente tem valor, ele se permite sentir mais livremente. Dessa forma, a criança se sente menos sufocada e não precisa de outros meios para expressar sua angústia, como a fuga para os jogos e televisão ou rompantes agressivos.

2 – Seja exemplo. Aprenda a falar de você e como você se sente, conte suas histórias da infância para eles e diga como você se sentia – e não precisa apenas contar histórias de bons sentimentos. Quando comunicamos às crianças um leque variado de sentimentos e mostramos que nós sentimos todos eles, elas passam a se reconhecer nos sentimentos dos adultos e a perceber que sentir algo não é errado.

3 – Converse com seus filhos sobre seus sentimentos diários. Conte-lhes o que você sentiu no seu trabalho para, depois, perguntar a eles o que eles sentiram na escola. Ensine-os os nomes das emoções e o significado delas. Conte para eles como você lida com as suas emoções e o que o ajuda. Crie oportunidades para falar sobre sentimentos. Faça um diário emocional com as crianças. Ajude-os a pensar sobre como se sentiram. Estimule o olhar para dentro com interesse. Autoconhecimento pode começar desde cedo e se reverberar em atitudes de maior maturidade emocional na puberdade.

4 – Sempre mantenha uma postura empática sobre o que seu filho está sentindo. Nós, adultos, tendemos a julgar as reações emocionais infantis como menos importantes – afinal, seu filho ficou com raiva SÓ por causa de uma borracha. Quando começamos a minimizar o que eles sentem, é quando eles começam a esconder o que sentem e a se distanciar dos adultos que não o entendem.

5 – Dentro de casa, não basta a empatia com ele. Se você invalida emocionalmente seu cônjuge ou os outros adultos da casa, a criança verá em você incongruência e se sentirá manipulada. A atitude empática e a abertura para sentir precisa ser entre todos as pessoas que convivem com a criança, para que ela perceba que o papo emocional não é só na teoria, é na prática do dia a dia. Tratar com acolhimento o adulto que sofre do seu lado é a maior lição que você pode dar para a criança de que a empatia existe e que está tudo bem sentir, ficar triste e chorar.

6 – Mostre a eles que errar é normal. Acolha-os em suas frustrações e elogie-os quando eles se superarem. Elogie-os quando eles conseguirem falar de seus sentimentos e desabafar. Faça perguntas quando a emoção negativa estiver sendo exposta pela criança, perguntas de possibilidades: ‘como você poderia lidar com isso de outra forma?’, ‘qual é a outra alternativa para lidarmos com isso?’. Você não precisa dar as respostas. Fazer a criança pensar ajuda com que ela mesma aprenda a reconhecer e controlar o que está acontecendo dentro dela.

7 – Se a criança estiver muito feliz, celebre com ela ao invés de pedir para ela parar de gritar. E quando ela chorar, jamais diga que ela precisa parar ou que não é para tanto. Tristeza e alegria são estados emocionais que precisam ser explorados – eles precisam de atenção, mas não supervalorização. Ao invés de reprimir, ofereça-se para apoiar na tristeza, e curta com seu maior sorriso na alegria.

8 – Na hora da birra, contenha o impulso de brigar ou castigar. Ao invés disso, mostre que entende a frustração. Coloque-se no mesmo nível da criança: ajoelhe-se, abaixe-se, mostre que está junto dele. Diga que também sente muito e que gostaria que fosse diferente. Jamais faça promessas que não irá cumprir ou ameaças que invalidem o sentimento de frustração da criança. A birra é uma manifestação emocional das mais desafiadoras de lidar, e é quando seu filho mais precisa de você.

9 – Respeite o tempo do seu filho – algumas crianças conseguem falar mais abertamente sobre o que sentem, outras levam mais tempo para se sentirem seguras para se abrir emocionalmente. O trabalho de alfabetização emocional infantil é um trabalho diário e valioso, que exige tempo e empatia dos adultos para com as crianças. Não force os pequenos a falar se você também ainda não aprender a falar do que sente, mas não desista da caminhada. É possível que tanto seu filho quanto você possam crescer emocionalmente com este exercício.

O maior objetivo desta alfabetização emocional desde a infância é que desde cedo a gente aprenda a entender o que acontece dentro da gente. Afinal, não precisamos deixar só para a fase adulta a capacidade de ter maior inteligência emocional e controle de nossas reações. É possível trilhar esta caminhada desde muito cedo, tendo assim posturas mais adequadas e emocionalmente maduras.
Afinal, nossos rompantes de raiva, vícios em álcool e drogas, fuga através da comida e alienação em redes sociais nada mais são do que nossas birras infantis e emoções reprimidas que não foram validadas na infância.

Por Priscila Bastos – Diretora de Instrução do IE Brasil.

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