Tag meu propósito de vida

Como falar de emoções com crianças

Emoção é a linguagem do nosso corpo para se comunicar conosco. Da mesma maneira que precisamos aprender português para falarmos com as pessoas à nossa volta, ou mesmo Libras para comunicação com deficientes auditivos, a alfabetização emocional deveria ser nosso foco antes mesmo de pensarmos em estudar uma língua estrangeira, porque – mais importante do que compreender estrangeiros – precisamos aprender a entender a nós mesmos.
A questão é: quando iniciar essa compreensão das emoções? Quando devemos aprender a interpretar o que elas estão querendo nos dizer?
Desde que começamos a sentir as emoções, já precisamos começar a observá-las com olhar curioso e acolhedor, para que possamos compreender nossa capacidade de sentimentos e encontrar a maneira de comunicar adequadamente o que estamos REALMENTE precisando. Ou seja, desde a infância!
Mas por que é importante sabermos interpretar as emoções desde pequenos?

Basta olhar para a criança que faz birra. A birra é a criança tentando comunicar ao adulto uma dor que ela mesma não consegue compreender e, se ela não consegue compreender, não tem como comunicá-la efetivamente ou controlá-la. Dessa forma, ela fica refém de uma reação emocional.

Então por onde começar?

1 – Aprenda a acolher as emoções de seu filho. Tudo começa com um ambiente onde seu filho se sente validado em seus sentimentos: quando percebe que o que ele sente tem valor, ele se permite sentir mais livremente. Dessa forma, a criança se sente menos sufocada e não precisa de outros meios para expressar sua angústia, como a fuga para os jogos e televisão ou rompantes agressivos.

2 – Seja exemplo. Aprenda a falar de você e como você se sente, conte suas histórias da infância para eles e diga como você se sentia – e não precisa apenas contar histórias de bons sentimentos. Quando comunicamos às crianças um leque variado de sentimentos e mostramos que nós sentimos todos eles, elas passam a se reconhecer nos sentimentos dos adultos e a perceber que sentir algo não é errado.

3 – Converse com seus filhos sobre seus sentimentos diários. Conte-lhes o que você sentiu no seu trabalho para, depois, perguntar a eles o que eles sentiram na escola. Ensine-os os nomes das emoções e o significado delas. Conte para eles como você lida com as suas emoções e o que o ajuda. Crie oportunidades para falar sobre sentimentos. Faça um diário emocional com as crianças. Ajude-os a pensar sobre como se sentiram. Estimule o olhar para dentro com interesse. Autoconhecimento pode começar desde cedo e se reverberar em atitudes de maior maturidade emocional na puberdade.

4 – Sempre mantenha uma postura empática sobre o que seu filho está sentindo. Nós, adultos, tendemos a julgar as reações emocionais infantis como menos importantes – afinal, seu filho ficou com raiva SÓ por causa de uma borracha. Quando começamos a minimizar o que eles sentem, é quando eles começam a esconder o que sentem e a se distanciar dos adultos que não o entendem.

5 – Dentro de casa, não basta a empatia com ele. Se você invalida emocionalmente seu cônjuge ou os outros adultos da casa, a criança verá em você incongruência e se sentirá manipulada. A atitude empática e a abertura para sentir precisa ser entre todos as pessoas que convivem com a criança, para que ela perceba que o papo emocional não é só na teoria, é na prática do dia a dia. Tratar com acolhimento o adulto que sofre do seu lado é a maior lição que você pode dar para a criança de que a empatia existe e que está tudo bem sentir, ficar triste e chorar.

6 – Mostre a eles que errar é normal. Acolha-os em suas frustrações e elogie-os quando eles se superarem. Elogie-os quando eles conseguirem falar de seus sentimentos e desabafar. Faça perguntas quando a emoção negativa estiver sendo exposta pela criança, perguntas de possibilidades: ‘como você poderia lidar com isso de outra forma?’, ‘qual é a outra alternativa para lidarmos com isso?’. Você não precisa dar as respostas. Fazer a criança pensar ajuda com que ela mesma aprenda a reconhecer e controlar o que está acontecendo dentro dela.

7 – Se a criança estiver muito feliz, celebre com ela ao invés de pedir para ela parar de gritar. E quando ela chorar, jamais diga que ela precisa parar ou que não é para tanto. Tristeza e alegria são estados emocionais que precisam ser explorados – eles precisam de atenção, mas não supervalorização. Ao invés de reprimir, ofereça-se para apoiar na tristeza, e curta com seu maior sorriso na alegria.

8 – Na hora da birra, contenha o impulso de brigar ou castigar. Ao invés disso, mostre que entende a frustração. Coloque-se no mesmo nível da criança: ajoelhe-se, abaixe-se, mostre que está junto dele. Diga que também sente muito e que gostaria que fosse diferente. Jamais faça promessas que não irá cumprir ou ameaças que invalidem o sentimento de frustração da criança. A birra é uma manifestação emocional das mais desafiadoras de lidar, e é quando seu filho mais precisa de você.

9 – Respeite o tempo do seu filho – algumas crianças conseguem falar mais abertamente sobre o que sentem, outras levam mais tempo para se sentirem seguras para se abrir emocionalmente. O trabalho de alfabetização emocional infantil é um trabalho diário e valioso, que exige tempo e empatia dos adultos para com as crianças. Não force os pequenos a falar se você também ainda não aprender a falar do que sente, mas não desista da caminhada. É possível que tanto seu filho quanto você possam crescer emocionalmente com este exercício.

O maior objetivo desta alfabetização emocional desde a infância é que desde cedo a gente aprenda a entender o que acontece dentro da gente. Afinal, não precisamos deixar só para a fase adulta a capacidade de ter maior inteligência emocional e controle de nossas reações. É possível trilhar esta caminhada desde muito cedo, tendo assim posturas mais adequadas e emocionalmente maduras.
Afinal, nossos rompantes de raiva, vícios em álcool e drogas, fuga através da comida e alienação em redes sociais nada mais são do que nossas birras infantis e emoções reprimidas que não foram validadas na infância.

Por Priscila Bastos – Diretora de Instrução do IE Brasil.

Como os perfis do Eneagrama reagem ao momento que estamos vivendo?

O mundo está de cabeça para baixo! Paira no ar a sensação de que tudo está fora do lugar. E agora, como encontrar ordem em meio ao caos?

Neste momento, é importante reconhecermos o que realmente estamos sentindo e como reagimos apesar de momentos como este. Somos seres diferentes, pensamos de forma diferente e, acima de tudo, temos reações diferentes a cada situação. Isso significa que, embora algumas pessoas possam estar no auge do estresse com um certo sentimento de impotência frente às consequências do Covid-19, outros, no entanto, podem estar gostando deste momento de isolamento social e aproveitando para ficar em paz consigo mesmo. E tudo bem com isso!

Riso e Hudson, em sua obra “A Sabedoria do Eneagrama”, classificam em três grupos a forma como podemos usar nossas defesas e reagir, inconscientemente, mediante situações de perda e decepções.

Grupo da Atitude Positiva

Como o próprio nome já diz, estas pessoas tendem a reagir aos problemas adotando uma “atitude positiva”, ou seja, “fazendo do limão uma limonada”. São pessoas que têm certa facilidade em ver o lado bom das coisas, são motivadoras e estão sempre prontas para ajudar. Agora, a dificuldade está em reconhecer em si mesmas algo doloroso ou negativo. Equilibrar suas próprias necessidades em relação às dos outros também pode ser tornar desafiador para elas. Pertencem ao grupo de Atitude Positiva os perfis 7, 2 e 9.

Grupo da Competência

As pessoas deste grupo reagem aos problemas invalidando seus sentimentos. Buscam constantemente por objetividade, eficiência e competência, muitas vezes esperando que os outros ajam da mesma forma e, quando isso não acontece, surge a indignação. Este grupo pode ter problemas em relação seguir, ou não, limites (regras) dentro de um sistema. Os perfis 1, 3 e 5 compõem esse grupo.

Grupo Reativo

Devido à sua dificuldade em confiar no outro, os reativos tendem a querer que as pessoas espelhem o seu próprio estado emocional, do tipo “se isso me aborrece, deveria aborrecê-lo também!”. São expressivos, ou seja, quando há um problema isso fica evidente fisicamente. Criam, por vezes, relações de amor e ódio. As pessoas que fazem parte do grupo dos reativos buscam por independência, o que pode trazer certa dificuldade quanto ao reconhecimento da necessidade em serem apoiados ou cuidados pelos outros. Tipos 4, 6 e 8 fazem parte do grupo reativo.

 

Ao analisarmos os grupos mencionados por Riso e Hudson, podemos identificar pelo menos uma reação positiva em cada grupo que, se estiver desequilibrada, pode gerar problemas em nossos relacionamentos, sejam eles pessoais ou profissionais.

Agora, analisando o momento pelo qual estamos passando – pandemia, crise na saúde e na economia mundial –, no qual a grande maioria das pessoas está passando por uma situação de instabilidade, seja ela financeira, física ou emocional, minha dica é: pare por um instante e reconheça suas emoções.

Se você tem a sensação de que tiram o chão de baixo dos seus pés, acalme-se. Analise este momento (aqui e agora), coloque no papel suas possibilidades. O que você pode fazer? Como você pode fazer? De que forma pode contribuir? Trace um plano e aja conscientemente a partir do que há de melhor no seu padrão de comportamento.

Por Sandra Iepsen – Diretora IE Santa Cruz do Sul/RS

Sou mesmo um líder? Ou sou um faz de conta bem vestido?

Há um imenso abismo entre aquilo que somos e aquilo que demostramos ser, logo, aquilo que somos jamais passará despercebido aos olhos que constantemente nos observam. O líder é aquele indivíduo que não precisa de um cargo, todos sabem que é ele. É nas pequenas atitudes, nas ações e reações inesperadas que o líder tende a mostrar o seu nível moral, de modo que, sobre esta análise gradual, os demais estabelecerão um conceito sobre ele e associarão o seu nome a tais atitudes.

O desafio de todo líder não é ir contra as suas fraquezas; ao contrário disso, uma ação de humildade é considerar suas fraquezas e não se elevar à autossuficiência, uma vez que jamais um homem comum, como você e eu, ou o maior de todos os líderes será capaz de “abraçar o mundo” sozinho. Uma equipe (com capacidades e incapacidades) é indispensável. As fraquezas e incapacidades podem ser bem administradas por se tornar o “ponta pé” motivacional, no qual cada um encontra significado para aquilo que desempenha com excelência.

Mas como todo grande e valente herói possui um inimigo, entre os muitos desafios da liderança, pode-se destacar como grande inimigo pessoal o Ego – e ele está em nós e estará para sempre. É no Ego elevado de um líder que mora o perigo, já que desvia o foco da liderança do grupo para si mesmo, para seus interesses e valorização pessoal. Quanto mais o líder almeja o poder e há ganância sobre sua posição, mais distante se encontra o seu olhar dos interesses interpessoais, dos interesses da empresa em questão e do sucesso coletivo. Aliás, o mantém cada vez mais distante do sucesso e da satisfação pessoal.

Bons líderes têm seu orgulho focado em saber que as coisas funcionam bem, não são egocêntricos em seus sentimentos e permitem que outros também brilhem e sejam elogiados. Estão dispostos a ouvir sugestões e talvez colocá-las em ação. Não possuindo tempo para o próprio ego, estão ocupados e concentrados nas necessidades da organização e de seus liderados. Líderes eficazes são humildes ao ponto de pensar primordialmente nos demais e não em si mesmos.

Líderes em equilíbrio são pessoas comprometidas com a organização e com as pessoas que as servem, tornando-se dispostos a enfrentar problemas, como também a festejar vitórias com os demais. São convictos em seus princípios e transmitem segurança mesmo em tempos de crise.

O que todos desejam para o futuro? Estabilidade. Estabilidade é sobre lealdade, aceitar a responsabilidade, tomar iniciativa e perseverar numa tarefa até que ela seja concluída. No momento em que cada indivíduo puder olhar para o caráter do seu líder e ver nele convicções inegociáveis, ações de humildade e lealdade para com os seus, ele se tornará cativante a ponto de ser seguido, indiferentemente de suas capacidades natas de liderança, pois nele há segurança, credibilidade, motivação, disposição, admiração e uma dezena de outras características que impulsionam o desejo de seguir outro alguém.

Talvez não esteja no DNA as características posturais de um líder. Porém, não há nada que não possa ser apreendido, desenvolvido e transformado em capacitação. A arte de agregar pessoas e influenciá-las como seguidoras em busca de um objetivo único tem como princípio o desenvolvimento de características pessoais capazes de gerar admiração, confiança e lealdade.

Todos, de algum modo, deixam a sua marca na vida de outros e esta é uma escolha pessoal. Deixar um bom legado e uma marca para o mundo é apenas para os líderes eficazes.

Por Rucimeire Freitas Mattana – Trainer IEneagrama Noroeste RS

9 razões para você fazer o Eneagrama da Personalidade

No nosso treinamento você vai receber dicas de neutralização que vão te conduzir para viver uma vida mais consciente, e, consequentemente, te deixar distante do seu vício emocional e em sintonia com seu propósito de vida.

1 – Sabe aquelas cobranças internas que fazem com que você carregue um peso nas costas e culpe ou se culpe por todos os erros? Eneagrama pode te ajudar a aliviar a carga.

2 – Sabe quando você esquece completamente de si de tanto que ajuda as outras pessoas? Com Eneagrama você pode encontrar uma maneira saudável e de equilíbrio entre dar e receber.

3 – Sabe quando você acaba atendendo mais as expectativas do mundo do que seguindo suas próprias vontades? Eneagrama te apoia a resgatar sua verdadeira identidade.

4 – Sabe quando você se sente incapaz ou fica se comparando com outras pessoas e se desvalorizando? Eneagrama pode te ajudar a transformar seus sentimentos a partir de novas atitudes.

5 – Sabe quando você fica racionalizando até sentimentos e estar presente nas relações é um desafio? Eneagrama pode te apoiar a estar mais convicto de si e se libertar.

6 – Sabe quando você vê risco em todas as ações e morre de medo de ser julgado pelo que pensa, sente ou faz? Eneagrama te apoia e encontrar dentro de si maior autoconfiança.

7 – Sabe quando você tem muito entusiasmo mas parece que não consegue consolidar nenhum projeto e tudo fica pela metade? Eneagrama pode te apoiar a direcionar seus talentos.

8 – Sabe quando você tem medo da intimidade e por isso acaba intimidando todos ao seu redor? Eneagrama pode te apoiar a descascar essa casca grossa com a segurança de não ser machucado.

9 – Sabe quando você não faz a menor ideia do que fazer com sua vida e fica indeciso na hora de tomar decisões? Eneagrama pode te apoiar a dar foco e usar sua força com mais objetividade.

Priscila Bastos – Diretora de Formação IEneagrama Brasil

As emoções impactam na sua capacidade de liderança?

Você que é líder talvez já tenha pensado: “Será que eu falo outro idioma? Ninguém entende o que eu digo!”. Ou ainda, apesar de ter repetido por três vezes como deveria ser realizada determinada tarefa, seu liderado fez totalmente o contrário do que você falou. E você, liderado? Quantas vezes levou bronca, ou pior, ouviu xingamentos por fazer exatamente o que seu líder lhe mandou fazer?

Em momentos como estes, é difícil manter o controle, não é? É como se uma erupção viesse subindo pelo estômago e pela garganta. Você começa a ficar vermelho e é difícil se segurar. Nesta hora, você fala tudo aquilo que está em sua cabeça e, de forma reativa, expressa toda a sua raiva, o seu medo, a sua frustação e a sua indignação. Você grita aos 4 ventos tudo aquilo que está entalado. Ou simplesmente engole seco e, mais uma vez, engole o “sapo”.

Quantas vezes você já saiu de uma reunião frustrado ou estressado, por não conseguir motivar, engajar ou fazer com que sua equipe fizesse o que precisava ser feito? Você já parou para pensar que, talvez, essas situações estão ocorrendo porque você não está consciente de suas emoções?

Como assim, Alex?

Certa vez, fui chamado por um cliente, para o qual eu prestava serviço de consultoria, na intenção de que eu conversasse com um colaborador que seria promovido a um cargo de liderança. Chegando na empresa, já ciente do comportamento dos dois sócios, pedi para conversar com eles antes de ir falar com o candidato a líder.

Então, pedi aos sócios que me explicassem o que esperavam da minha conversa, qual era o objetivo.  Um deles falou que eu deveria prepará-lo para o cargo de liderança, enquanto o outro disse que eu deveria avaliar se ele tinha perfil para esse cargo! Cada um tinha uma expectativa e, notando isso, perguntei se eles  haviam percebido que estavam me pedindo coisas diferentes. No começo, eles não tinham se dado conta, pois um não escutava o outro, mesmo estando frente a frente.

Percebendo que havia “algo no ar” entre eles, pedi para que os dois definissem o objetivo, que deveria ser um só para a primeira conversa. Neste momento, eles começaram a discutir, e logo o tom de voz foi aumentando, como em uma competição de som automotivo: quando um aumentava a voz, o outro aumentava mais ainda. Estava claro que as emoções estavam lhes dominando e eles não raciocinavam completament    e. Cegos pelos egos, cada um defendia o seu próprio ponto de vista.

Dentre as habilidades de um líder, podemos destacar a capacidade de ouvir como uma das principais, senão a principal.        Autores e grandes líderes descrevem-na como uma habilidade essencial! Dale Carnegie, autor do livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, escrito há mais de 80 anos, já falava o quanto é importante para um bom líder saber ouvir verdadeiramente. James Hunter descreve, em seu livro “O Monge e o Executivo”, a filosofia da Liderança Servidora, em que um dos alicerces é saber ouvir. Outros autores renomados como John Maxwell e Stephen Covey, além de líderes como Jack Welch, também falaram sobre como a capacidade de ouvir, vinda de um líder, faz com que ele sirva de inspiração e seja seguido por seus liderados.

Mas como ouvir quando se está cego ou surdo pela raiva, medo, indignação ou estresse? O autoconhecimento e a inteligência emocional são alguns dos caminhos para desenvolver a capacidade de agir e pensar, mesmo em momentos de grande tensão. No Eneagrama da Personalidade, por exemplo, são estudadas as 9 emoções humanas e como elas influenciam os 9 padrões de comportamento. Já no livro “Inteligência Emocional”, do autor Daniel Goleman, é abordado o índice que mede a inteligência emocional do ser humano, o QE – Quociente Emocional.

Um líder com alto nível de inteligência emocional tem as ferramentas necessárias para que, mesmo no meio da tempestade de emoções, consiga agir de maneira consciente. E a consciência, ou presença, é outra habilidade essencial para que possamos desenvolver uma liderança servidora. Afinal, não adianta nada saber a matéria e ter todas as técnicas na memória se, na hora da prova, “dá um branco”.

Em sala, nos treinamentos, muitas vezes os alunos falam: “Mas, Alex, eu estudei o manual para saber como lidar com o perfil do meu liderado e me preparei para a reunião com as informações. Mas, na hora em que ele me falou aquilo, eu não aguentei! Esqueci tudo, levantei o tom de voz e estourei.” Nestas horas sempre conto para meus alunos uma história.

Certa vez, o discípulo perguntou ao mestre:

– Mestre qual mantra eu posso recitar, no momento de estresse, para me acalmar?

Ao que o mestre, em toda sua sabedoria e calma, responde:

– Qualquer um, porque se você conseguir lembrar de algum mantra na hora em que a emoção o sequestra, qualquer um vai servir.

Mas então, se não adianta apenas conhecer as técnicas, o que eu faço para gerenciar as emoções e melhorar a minha liderança?

O desenvolvimento pessoal é como se preparar para uma maratona: você não começa correndo 42 km no primeiro dia. Você vai aumentando a distância, semana após semana, para que, no dia da maratona, esteja preparado para o desafio real.

Em seu livro “Como Evitar Preocupações e Começar a Viver”, Dale Carnegie conta a história do empresário que melhorou seus resultados como profissional, realizando uma reflexão toda semana sobre como foram as suas atitudes naquela semana.

O primeiro passo para que você possa começar a conhecer as emoções presentes no seu dia a dia, e como elas o sequestram em momentos de estresse, é a percepção sobre si mesmo. Um exercício diário de anotar, em um pequeno caderno, ajudou-me a aumentar meu autoconhecimento e estar consciente. Convido você a fazer o exercício. Todo dia, pela manhã ou à noite, faça uma reflexão e escreva, de forma sucinta, quais emoções você percebeu.

  • Raiva, que trouxe indignação?
  • Medo, que trouxe ansiedade, receio ou desassossego?
  • Luxúria, que fez com que você agisse de forma intensa e, por vezes, exagerada?
  • Indolência, que fez com que você tivesse dificuldade de se posicionar e, assim, fez-lhe “engolir sapos”?

Estas são algumas das emoções.

Anote também qual foi o gatilho que acionou aquela emoção: que comportamento, do outro ou seu próprio, fez-lhe agir de forma reativa?

Por fim, comprometa-se consigo mesmo a estar no controle de suas emoções, utilizando-as de forma a não atrapalhar, e sim beneficiar sua capacidade de liderança.

Quer conhecer mais sobre as emoções e como elas impactam diretamente em sua liderança? O Eneagrama das Personalidades é uma ferramenta que pode acrescentar e influenciar muito a sua capacidade de liderança. Acesse: https://ieneagrama.com.br/o-eneagrama/.

Por Alex Sandro R. da Silva – Trainer IE Curitiba/PR

FIQUE POR DENTRO DA AGENDA DE TREINAMENTOS DO IE: CLIQUE AQUI! 

10 dicas para ter uma boa Gestão Emocional e Gestão Financeira

A má interpretação e a má gestão de nossas emoções são grandes causadoras de impactos na gestão financeira. Além de um fato inegável, infelizmente são duas áreas não inclusas em nossa educação tradicional. Mas afinal, o que é a gestão emocional e qual é o maior impacto que ela causa na gestão financeira? A resposta é simples: é a capacidade de controlar seus sentimentos e emoções, para evitar decisões impensadas e impulsivas que podem levá-los às dívidas.

De forma prática, ter Gestão Financeira não quer dizer que você será um economizador, um guardador de dinheiro, mas sim, que você fará a alocação dos recursos de forma mais equilibrada. Assim como ter Gestão Emocional não quer dizer que você deixará de ser emotivo, impulsivo, ou metódico, e sim que você terá maior consciência das emoções que está sentindo e como elas estão influenciando nas suas atitudes. Todas as atitudes, inclusive de gastos e ganhos, devem ser feitas de forma consciente, seguindo ou não a emoção.

A união da gestão financeira e emocional proporciona melhoria nos seus relacionamentos, sejam eles de amizade, familiares, societários ou com clientes, mas, principalmente, com você mesmo. Afinal, o uso inadequado de seus recursos pode ser uma forma de você disfarçar situações mal resolvidas com o seu eu. E, se as suas dificuldades na gestão financeira estão levando-o à falência de relacionamentos, a luz vermelha já acendeu. É hora de resolver isso. Então vamos às estratégias:

 

1 – Elabore um orçamento mensal;

Siga o princípio básico de suas receitas e despesas, lembrando de destacar as receitas fixas e as variáveis para quem trabalha com este formato, assim também com as despesas fixas e as variáveis. Aproveite e faça isso com as emoções. Quais emoções você percebe que sente com maior frequência e aquelas que quase não aparecem? Tomar consciência de nossas dívidas, muitas vezes, gera um desconforto, uma dor que também acontece com as nossas emoções. Por isso, esta etapa é muito importante.

Assim como você faz o acompanhamento do seu orçamento mensal, analisando os resultados, também pode ter seu acompanhamento das emoções, percebendo os reflexos de cada uma delas em suas decisões.

 

2 – Defina objetivos e trace metas realistas;

Ao perceber que a receita está desalinhada com as despesas, é hora de traçar metas para equilibrar. É importante que a meta seja realista, dentro de parâmetros que você se perceba capaz de atingir. Tudo bem se para outras pessoas parecer fácil, o importante é você perceber que é desafiador. A meta é sua e a evolução também. Então compare-se com você no mês anterior e não com seu amigo, irmão ou vizinho. Somente com um olhar baseado na realidade, é possível fazer um bom planejamento financeiro, com objetivos claros e metas que estejam de acordo com a sua capacidade financeira. Esse mesmo olhar realista para sua situação será fundamental para alcançar as suas metas de “fisioterapia” emocional.

 

3 – Trabalhe seu autocontrole;

A velha dica da meditação serve para todos, sendo que os resultados desse tipo de hábito surgem a longo prazo. Por isso, é fundamental ter a calma necessária para esperar, tomar uma atitude baseada em análise e não se precipitar diante de crises. Essas crises podem vir na área financeira e também na área emocional e, nesse momento, manter a mente tranquila é fundamental. Estar atento aos sentimentos gerados pelas emoções, impulsos e vontades durante essa caminhada é essencial para não tomar atitudes precipitadas e saber esperar a hora certa para tomar decisões. As flutuações das nossas emoções requerem ponderação, para que você possa se manter rumo à meta de forma mais adequada, e até mesmo poder colher seus frutos.

 

4 – Seja flexível para lidar com imprevistos;

 A flexibilidade e o auto controle são essenciais para lidar com situações inesperadas, muito comuns no dia-a-dia e, especialmente, quando estamos nos desafiando a novos hábitos. É importante não entrar em desespero quando as coisas não vão bem, não desistir das suas metas nem se desacreditar de suas ideias. Lembre-se: seu maior investimento será em você mesmo. E existe alguém mais importante do que você nesse processo? Aqui a resposta é não. Então utilizar da habilidade da adequação vai apoiá-lo no ajuste da meta ou do método para alcançá-la. Atenção e cuidado para não usar isso como desculpa. Traga para a consciência se essa adequação é mesmo necessária.

 

5 – Seja empático com suas necessidades;

Reconhecer que, por vezes, precisará de apoio é fundamental. Não somos seres criados para viver sozinhos, somos seres que gostamos da conexão. Crie hábitos de falar com pessoas sobre suas dificuldades e ouvir delas as suas também. As vivências do outro podem ser úteis a você e as suas, a ela. A empatia precisa ser praticada e ela começa por você. Nos momentos em que perceber que está difícil demais se manter no controle com foco na meta, permita-se um agrado. Lembrando sempre que isso não é exceção, é um passo importante para fortalecer a caminhada.

 

6 – Evite tomar decisões por impulso;

É aquela velha história de “no calor das emoções, quando vi, já havia feito”. O impulso nos toma quando não temos consciência de nossa condição, e nem mesmo sabemos aonde queremos chegar e a força que isso tem. Precisamos usar de nossas melhores habilidades no poder de negociação, de barganha e até de realização, então ficamos suscetíveis a sermos convencidos para algo que não está de acordo com o que realmente queremos. Mais uma vez a consciência aparece. Se, para você, em um primeiro momento será necessário não andar com o cartão de crédito na carteira ou evitar situações desafiantes, tudo bem. A sua evolução é o que vale.

 

7 – Seja criativo na gestão;

A criatividade é uma qualidade que nos apoia em todos os aspectos, seja para economizarmos financeiramente, seja emocionalmente. A forma como recebemos e adequamos as informações à nossa realidade criam novas formas de fazer, de ser. A criatividade é um processo que precisa de prática e o mínimo de organização. E, por isso, pode ajudá-lo a se desenvolver em novas formas de gerar recursos também. Use e abuse de sua criatividade.

 

8 – Faça acordos;

Acordo pressupõe bom diálogo e entendimento, assim isso fortalece-o em melhores negociações financeiras e também de convivência. As piores negociações são aquelas em que os termos não estão claros para ambas as partes, muitas das vezes porque nem foram discutidos. As partes apenas criaram a expectativa sobre o outro, por experiências anteriores ou simplesmente por “achismo”. Não ache nada, exponha o termo e tenha a concordância da outra parte. Evite prejuízos financeiros e emocionais.

 

9 – Evolua, ajudando outras pessoas;

Promova o bem comum, compartilhando bens e conhecimentos. Se você precisa de um bem para uso temporário, não o compre, tome-o emprestado. Além disso, empreste as suas coisas a outras pessoas, caso não sejam bens de fácil deterioração. Além de tudo, você aprenderá sobre o desapego. Troque objetos antigos, poque isso promove economias saudáveis em seu orçamento e o despertam para outro nível de consciência emocional.

  

10 – Desafie-se;

Provavelmente algumas dicas foram mais desafiadoras para você do que outras. Assim, você deve investir mais energia nas dicas mais desafiadoras, já que são nesses pontos que você precisa de maior evolução e é onde você está tendo maior impacto.

 

As emoções não podem ser o único guia as suas decisões e ações. Essa é a razão de desenvolver a consciência na gestão emocional e financeira, estando atento às suas reações e impulsos e, principalmente, aprendendo a controlá-los. Sinta-se em harmonia com suas decisões, sem a ressaca emocional de decisões inconscientes.

Sabemos que essa não é uma tarefa fácil. E que muitas pessoas chegam a abandonar a caminhada, por não suportarem tantas pressões nem o impacto que elas provocam. No entanto, para evoluir é necessária uma disposição para ceder, baixar a guarda e admitir que as coisas não estão boas e é preciso ajuda. Haja e reaja, até que você chegue nos seus objetivos.

Neuza Ramos – Trainer do IEneagrama Centro Paraná e Ponta Grossa

FIQUE POR DENTRO DA AGENDA DE TREINAMENTOS DO IE: CLIQUE AQUI! 

O que acontece quando um eneagramado recebe e aceita sem julgamentos os aprendizados da crise?

Quem é IEneagramado consegue se perceber mais facilmente quando está em estresse, já que reconhece seus gatilhos e assim pode se antecipar ao seu padrão de comportamento. Isso permite mais clareza e mais objetividade para lidar com momentos de grande ansiedade, como o atual.

Para cada perfil, os desafios são distintos, mas em comum todos temos o eneagrama, que nos ensina o melhor caminho rumo à neutralização e ao fortalecimento pessoal.

O Mikael Zamboni, diretor e trainer do IE Vale Europeu em Santa Catarina preparou um conteúdo especial para todos os tipos.

Confira:

Tipo 1

A leveza da vida é experimentada quando o “erro” é apreciado, pois agora eu aceito a beleza da imperfeição e me liberto do excesso de cobranças.

Tipo 2

O verdadeiro cuidado com o outro é atingido quando volto com generosidade meu olhar para mim e deixo de tentar carregar os problemas do mundo em meus ombros.

Tipo 3

A riqueza verdadeira está na simplicidade e na proximidade de quem amamos, pois agora eu aceito que me preencho com o amor das pessoas e não com as conquistas exigidas pelo mundo.

Tipo 4

A sensibilidade esconde em seu íntimo uma força imensurável, pois agora eu aceito que o mundo sonhado é criado com determinação e não com idealização.

Tipo 5

Que a sabedoria profunda é adquirida quando me permito sentir a experiência, pois agora aceito a importância de me envolver ativamente no mundo e não apenas observá-lo.

Tipo 6

A confiança e a segurança já estão dentro de mim, pois agora aceito que as certezas do meu mundo vêm da voz do coração e não da racionalização.

Tipo 7

A criatividade prática é despertada ao encarar as dificuldades, pois agora aceito integrar a dor de situações negativas que o mundo me apresenta e não mais fugir delas.

Tipo 8

A vulnerabilidade é o atalho que aproxima os corações, pois aceito que a verdadeira força que o mundo precisa é feita de sensibilidade e compreensão e não somente de ação.

Tipo 9

A evolução é resultado dos atritos que acontecem em nossas vidas, pois agora eu aceitolidar imediatamente com os conflitos que o mundo me traz e não mais engolir minha opinião.

Por que você trabalha?

Há um mês, se alguém lhe dissesse “Oi, como você está?”, sua resposta provavelmente seria “Na correria, como sempre, né? Muito trabalho!”.

Com uma mesa abarrotada de compromissos e um celular que não parava de tocar, estávamos exaustos por correr atrás de uma linha de chegada que só existia na nossa cabeça. E nem por isso deixávamos de correr. Priorizando nosso próprio negócio, não vimos nossos filhos darem os primeiros passos, nossos cônjuges defenderem o trabalho de conclusão de curso, nossos amigos comemorarem o aniversário, nem nossos pets brincarem na grama em um dia de sol. E, mesmo sabendo que não era uma rotina saudável, convenientemente não achávamos tempo para cuidar da nossa saúde.

Até que fomos convidados a repensar toda a nossa vida. Meio a força. Meio a fórceps. Porque, se dependesse de nós, talvez estaríamos no mesmo ritmo alucinado de poucos meses atrás, achando que não havia tempo para nada e ninguém mais além de trabalho, trabalho, trabalho.

Descobrimos que boa parte das profissões que ocupamos pode ser tocada de casa.  Descobrimos que saúde é um bem precioso: sem ela, ninguém fica vivo para trabalhar no dia seguinte. Descobrimos que nossas ações podem ter repercussão em uma cidade inteira. Descobrimos o valor do planejamento financeiro. Descobrimos que as coisas que tomávamos por garantido não eram tão garantidas assim.

Ainda há mais o que descobrir. Ainda há mais para explorar, para inovar, para repensar. Quando outros cenários mais felizes voltarem a aparecer no horizonte, espero que sua resposta não seja mais “Estou na correria, como sempre”. Espero que você possa responder algo que ressoe com o seu coração, com a sua missão de vida e o seu propósito. Por que você trabalha?

Texto: Angelita Borges – Diretora de Laboratório e Pesquisa IE Brasil 

FIQUE POR DENTRO DA AGENDA DE TREINAMENTOS DO IE: CLIQUE AQUI! 

Por que não consigo conversar com o meu chefe?

Medo, pavor, insegurança, frio nas mãos. Essas são algumas respostas comuns para a seguinte pergunta: como você se sentiria se precisasse pedir um aumento a seu chefe?

Não se trata apenas do conceito antigo do chefe autoritário. Em ecossistemas mais modernos, como startups, fintechs e outros novos modelos de negócio, a aflição do diálogo ainda pode estar lá. Medo de chefe não tem nada a ver com modernidade. Tem tudo a ver com gestão emocional.

Mas, pensando de forma clara, por que é tão comum colocar esse lugar de liderança distante do nosso lugar de fala? Por que não nos sentimos à vontade para conversar, desabafar, falar de forma sincera com nossos líderes?

Estamos do mesmo lado?

A primeira pergunta que você precisa responder é: você acha que joga junto com seu chefe? Estão do mesmo lado do jogo ou cada um joga sozinho? Quando nos sentimos próximos na essência, fica muito mais fácil de conversar de forma franca e próxima. Mas quando nos colocamos do lado de cá e o chefe do outro lado do campo, é realmente difícil construir essa linguagem sincera. Afinal, honestidade demanda intimidade.


Você pode falar tudo, mas não de qualquer jeito

Em um ambiente saudável, com diálogo aberto e disponibilidade de todas as partes de ouvir e compreender, tudo pode ser dito. Mas não de qualquer forma. Pense que temas difíceis para você costumam também serem difíceis para seu chefe. Agir com honestidade não impede que a fala tenha empatia e gentileza. Ainda que o seu desabafo parta de um ponto de desconforto e insegurança, agir com maturidade e cuidado torna a conversa mais produtiva. Para todo conflito, deve haver uma conversa e não um confronto.

Contra fatos não há argumentos?

Uma estratégia que costuma nos deixar um pouco mais seguros é começar a conversar a partir de um fato concreto. Por exemplo, imagine que você tem um colega de trabalho que lhe interrompe sempre que você tenta apresentar uma nova ideia. Se você chegar para seu chefe abrindo o jogo de tudo que acredita que o seu colega é e faz, pode parecer fofoca ou até pirraça. Mas se você começa com “Bem, você lembra daquela reunião que tentei me colocar e o meu colega me cortou? Isso tem acontecido o tempo inteiro”, a abordagem pode ser bem mais convincente. Dar exemplos concretos possibilita que a sua fala seja escutada como verdade e não como queixa. E um bom chefe sabe diferenciar uma boa conversa de uma reclamação infundada.

Esteja disposto a talvez não agradar o seu chefe o tempo inteiro. Ele, você e todos nós precisamos de desconforto de vez em quando. Ninguém vai para frente sem sair do lugar.

Uma conversa é feita, no mínimo, em dupla

Para que haja uma conversa, é preciso que as partes envolvidas estejam dispostas e conectadas. Respire fundo, pense no que aflige você e nos danos que isso pode trazer para sua carreira. Marque um horário, se prepare, ou encontre uma oportunidade no cafezinho. Mas falar de forma clara e objetiva é sempre a melhor opção. No final do dia, você vai estar mais aliviado. Afinal de contas, quando falamos de pessoas – e uma liderança é sempre sobre pessoas – estamos falando de emoções e afetos. E para gerenciar nossas atitudes, precisamos colocar as emoções no lugar. Conversar com o chefe pode não estar no seu job description, mas pode impulsionar sua carreira de uma forma que você não imagina.

IE-CTA-EBOOK9PASSOS.png

Uma vitória e uma tragédia podem ser a mesma coisa – o sucesso e o pavor de ser feliz

Você sabia que ganhar na loteria e ter um acidente que paralisa todos os movimentos podem trazer sensações parecidas? Ganhar tudo o que se quer e perder tudo o que se tem causam a mesma perspectiva: mudança total de vida. É quase como se a felicidade máxima e a tristeza profunda fossem irmãs. Mas por que será que isso acontece?

No artigo Lottery Winners and Accident Victims: Is Happiness Relative? de Philip Brickman e Ronnie Janoff-Bulman, a associação entre pessoas acidentadas e ganhadores da mega-sena é feita de forma clara e o princípio da adaptação traz uma anunciação: não importa qual a sua vitória ou progresso, em breve, você não estará mais satisfeito.

Para muitos, isso pode ser um boicote à felicidade, mas é preciso lembrar que a sensação de incompletude é totalmente irracional. E o sentimento de falta vem muito das expectativas – muitas vezes fantasiosas – do que acontecerá após um grande momento.

Quando nos emocionamos, ativamos uma parte do cérebro chamada sistema límbico, relacionada também à memória. Ou seja, quando liberamos grandes emoções, registramos na memória o que sentimos. É muito comum, por exemplo, que as pessoas lembrem exatamente onde estavam quando souberam do ataque terrorista do 11 de setembro – elas descrevem não apenas o local em que tiveram a notícia, mas tudo o que pensaram naquele momento. Quando o momento é sobre nós, também gravamos tudo o que pensamos e sentimos, ainda que sejam poucos segundos. Durante um acidente de carro, algumas pessoas sempre que relatam o ocorrido, dizem: “naquele momento, pensei que iria morrer”.

Agora imagine que alguém está acompanhando a apuração da mega-sena e descobre que tem o bilhete premiado. Naquela noite, o vencedor faz planos com os seus novos 200 milhões, pensa nas doações que fará para a família, nos imóveis e viagens que agora estão ao seu alcance. Na manhã seguinte, descobre que mais 10 pessoas também tiveram bilhetes premiados. Ou seja, serão 20 milhões e não 200. Como num passe de mágica, 20 milhões não parecem mais suficientes, uma frustração chegou antes mesmo do dinheiro chegar à conta. Ao mesmo tempo, uma pessoa acidentada que perdeu todos os movimentos das pernas e imaginou que nunca mais iria andar, recebe o diagnóstico de que a paralisia é momentânea. Nesse momento, é possível que uma pessoa que se acidentou seja mais feliz que uma que acaba de ganhar na loteria.

O fortalecimento do selfie, do eu, da nossa essência, é o que nos possibilita buscar formas de encontrar a felicidade em momentos de histeria e também nos de tristeza. O reforço sobre o que se é nos possibilita enxergar o mundo com mais fidelidade e não deixar que eventos externos e pontuais nos decepcionem, nos enganem e nos tragam uma frustração por uma expectativa que nem tínhamos há poucos segundos.

Somos todos vulneráveis às emoções fortes e nos deixar influenciar pelo que nos ocorre nos prova que estamos conectados com o mundo. Mas se para nós a felicidade e a tristeza podem ser tão semelhantes, é preciso trabalhar o nosso ponto de verdade e equilíbrio para que o bem-estar vença nessa dura busca pela felicidade.