Vulnerabilidade: Você vive com todo o seu coração?

Vulnerabilidade é para quem tem a coragem de agir com o coração, como a palavra diz. E é para quem tem força suficiente para ser ferido e saber que vai se levantar.

É estranho pensar que, muito do que fazemos, é para responder a uma possível situação de risco – fazemos porque temos medo. E nós temos muitos medos. Todos nós! Mas reagimos a eles de formas diferentes: uns paralisam, outros se energizam, alguns se vitimizam e outros vão atrás de senti-lo, mesmo que inconscientemente.

E a diferença de medos e angústias? As angústias pesam, inclusive no nome. Os mais empáticos até se contorcem ao ouvi-la. A angústia vem da incerteza, por exemplo, de não saber o dia que vamos morrer ou de não estar fazendo algo significativo em nossa vida! São dores abstratas. Não há seguro contra uma vida mal vivida – aos 90 anos, você não pode pegar seus anos de volta, caso perceba que tenha vivido uma vida vazia.

E o medo? Medo de perder o emprego, de sofrer um acidente, de magoar alguém, de errar, de ser ferido, ofendido e parecer frágil? Se nossos antepassados tinham medo de não ter comida ou abrigo, hoje todos os nossos medos culminam em um medo único, o medo de não ser bom o suficiente. E o suficiente nunca chega!

Para angústias não há soluções, mas existem estratégias para não perder o emprego: por exemplo, me comunicar de maneira amistosa, demonstrar minha competência profissional e bloquear meus sentimentos para me mostrar forte. Ou seja, para os medos existem caminhos e esses caminhos geralmente seguem o seguinte ciclo: tenho medo > preciso me proteger > escondo minha vulnerabilidade. É por esse medo de sempre estar ficando para trás que nós nos tornamos pessoas que escondem fraquezas e começamos a competir para mostrar quem é o mais forte.

A competição sempre esteve presente em nós, inclusive nos fez sobreviver como espécie. Usamos uma grande energia para competir, demonstrar força e assim garantir sucesso na vida profissional, mas essa energia acaba sendo um desperdício, pois poderia ser usada para sermos pessoas mais inspiradoras, que os outros querem perto, querem ser liderados ou querem dividir uma vida. Mas como dividir uma vida se não consigo dividir minhas fraquezas?

Vulnerabilidade é substantivo feminino e, como toda força feminina, ela vem dotada de uma energia de acolhimento e amor. E não há como falar de vulnerabilidade sem falar de empatia. Nós estamos na era em que grandes líderes estão buscando entender o que é empatia. Afinal, enquanto você está escondendo perfeitamente sua vulnerabilidade e quem você é, seus liderados, familiares e amigos escondem também. E é aí que talvez esteja a resposta do porquê seus liderados não produzem o que deveriam produzir, não se envolvem verdadeiramente com sua causa ou por que seus relacionamentos de amizade e íntimos sejam mais confusão do que felicidade. Não estamos conectados empaticamente através de nossas dores.

É preciso coragem para abraçar a vulnerabilidade. Na era da substituição de grande parte do trabalho por máquinas, fará a diferença quem conseguir ser mais verdadeiro, conseguir se comunicar pela lente do amor e do que nos une, muito mais do que nos separa. Vulnerabilidade é para quem está disposto a fazer o teste de viver sua vida sem perder para seus medos, é para quem deixa de procurar a fraqueza no outro para esconder sua própria fraqueza, é para quem acolhe a vulnerabilidade do outro com empatia. Vulnerabilidade é para quem tem a coragem de agir com o coração, como a palavra diz. E é para quem tem força suficiente para ser ferido e saber que vai se levantar.

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